Aristides, tão querendo roubar minha bicicleta!

Pega mas não pega tudo não

A história da Moral e Bons Costumes

Paranga de Castelo

A história da beterraba

Olha, sem as mãos!

O que é isto?

São tantas recomendações...

O primeiro disco da Moral

São Tantas Recomendações... - Show Para Empresa


Após tocar muito em festas, a moral arrumou uma empresa que fazia eventos em hotéis que sempre precisava de bandas para todo o tipo de ocasião, lançamento de produtos, convenções e assim por diante. Nada de anormal ate aí, pois o estilo da banda permite que façamos também essa presepada.

Foi então que este esse nosso empresário “caixa dagua” arrumou dois shows em um hotel em Atibaia para a convenção de uma grande empresa de produtos de limpeza.

A moral se organizou, preparou seu repertório, ensaiou e fomos ao evento. No caminho o caixa dagua ficou a viajem inteira solicitando que nós da banda zoássemos muito, mas muito, com o pessoal da convenção. De imediato ele foi advertido pelos integrantes que essa não era uma boa idéia. Isso porque, quando nos seguramos pra não fazer besteira a merda já é grande, imagine soltando tudo, liberando geral!

Da mesma forma que o caixa dagua solicitava, ele era avisado, mas o mesmo insistia dizendo:

“Bocca, pode zoar ein? Eu chamei vocês aqui pra isso, pode zoar tudo e todos.”

Ok! Chegamos ao hotel e fomos levados até o local onde haveria a apresentação. Lá também ouvimos da pessoa que organizava o evento a mesma recomendação “gente é pra zoar bastante viu” dizia a gerente.

Era o restaurante do hotel, grande, bonito, requintado, um luxo, porém pensamos: que merda! Como vamos cantar falando em sogra, merda, foda, cocô, além de outras palavras escatológicas, enquanto o pessoal come?

Resolvemos então passar o som e esperar o povo comer antes de nos apresentarmos, afinal não ia pegar bem...

Depois do jantar a banda entrou e começou a apresentação. Era uma convenção do pessoal da área comercial de uma marca de produto de limpeza. Várias mesas grandes cheias de pessoas, todas ou quase todas “de social” com aquele ar de imponência.

Começamos e tocar um Brega da Gerusa daqui, um Nem na Orelha dali, uns gostando outros não entendendo, mas o show ia caminhando de uma forma tranqüila e animada. Foi quando o Bocca lembrou das recomendações do caixa dagua e da gerente do hotel, bem na hora de tocar a música Maricon (com toda a performance que lhe é peculiar).

“Bem pessoal, que maravilha estar aqui com vocês! Eu gostaria de fazer uma pergunta simples a todos os presentes: quem é o Bom da Boca aqui?”

Uns apontavam para os outros parecendo até que ninguém mandava naquela merda. Acho que estavam obedecendo ao organograma da empresa: o assistente de vendas apontou pro vendedor, que apontou pro seu gerente e assim vai...

“Não galera vocês não entenderam: quero saber quem é o cara aqui? Quem é o cara mais fudido, o que manda e desmanda nesta merda?” Aí sim todos apontaram para um senhor de bigode (que azar o dele!), estilo zorro, todo sério sentado ao lado de um monte de puxa saco. Foi então que o Bocca solicitou à banda que começasse a música. Enquanto a parte instrumental começava, o Bocca começou a tirar a roupa: primeiro a camisa, ficando com o peito nu, depois a calça onde embaixo existia uma calça bailarina pink completamente aviadada (que pleonasmo!), ficando então de calça pink, bota pink e plumas também na mesma cor em seu pescoço. Foi então que ele seguiu até a mesa do homem mais fudido do jantar, deitou sobre a mesa e começou a cantar... A quantidade de flashs de máquinas fotográficas naquele instante se compara apenas aos do pênalti do milésimo gol de Pelé. Creio que todos os presentes tinham uma máquina... E o Bocca cantava: “eu troco seus cabelos bonitos por um par de pernas peludas, seus lábios sensuais e carnudos por um braço forte e massudo, o seu corpo bronzeado por um bigode bem aparado”... O restaurante foi à loucura. A impressão que se tinha é que todos, mas todos mesmo, estavam adorando aquilo que estava acontecendo com “O Cara”, menos o caixa dagua e a gerente, além do zorro, é claro! E assim foi o primeiro show. Parece que depois da performance todos começaram a amar a Moral.

No dia seguinte tínhamos um novo show para a mesma convenção e, por incrível que pareça, tinha muito mais gente pra assistir. Porém (aaaai, porém!!) “O cara”, que era a pessoa mais esperada, não apareceu.

Ah, o nível de recomendações para este show também foi recorde!

“Pelo amor de Deus pede pro Bocca não falar mais palavrão!“

“... avisa ele pra não mexer com o diretor, quase o cara cancela o evento no meio, tamanha a vergonha que ele sentiu...”

“Olha gente, não precisa pegar tão pesado nos gestos...”.

E assim caminha a humanidade, não sabe o que quer...