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OLHA, SEM AS MÃOS!


Por Ricardo Bocca

Tínhamos na nossa agenda um show em Santo André em um sábado à noite, para ser mais exato na escola Júlio de Mesquita, onde ocorreria um festival. A Moral se convidou pra fazer a abertura, um show curto com poucas músicas, um show sem muitos comentários.

Neste show da Banda participaram os performáticos Pancho e Lão, que lá sentiram um certo medo ao ver a platéia repleta de pessoas de outras tribos (punks, rockers, etc.). No show a única ocorrência que marcou foi o fato de causarmos entre os punks presentes uma euforia desgovernada com certo teor de ira (no momento em que tocávamos "Kiss Me Cueca", onde os performáticos entravam fazendo um strip tirando várias cuecas e as jogavam na platéia). Realmente aquele show quase não acabou bem...

Na hora de irmos embora estávamos os quatros mosqueteiros da Moral (Alemão, Frederico, Largura, Bocca) além da Solange, a Rosangela, o Baby, o Pneu da Carda (apelido de um gordinho xarope do SENAI), o Norberto e por último o The Blue, além de toda a aparelhagem (guitarra, baixo, caixa de bateria, pedais, cabos, pratos e ferragens). O primeiro destino era a casa do Bocca.

Depois de ajeitar toda a aparelhagem dentro do fusca do Alemão, começamos a maratona de colocar 10 pessoas dentro do fusca...

Depois de alguns minutos constatamos a lei da física que declara ser impossível dois corpos ocuparem o mesmo lugar no espaço. Portanto refletimos que o carro tem dois lados: o de dentro e o de fora, e logo começamos a montar no carro do Alemão nosso "carro abre alas".

Dentro ficou o Alemão dirigindo e sendo perturbado sexualmente pela Rosângela que se encontrava no banco de trás, juntamente com o Pneu da Carda, The Blue e a Solange. Já no banco da frente, junto com a aparelhagem, tínhamos o Baby. Do outro lado do carro - o lado de fora - tínhamos o Frederico e o Norberto em cima do para choque traseiro e o Bocca e o Largura debruçados no capô do fusca, suspenso pelo pára-choque e segurando nos quebra ventos. Assim viemos da escola Júlio de Mesquita no centro de Santo André até a casa do Bocca, que era próxima ao hospital Bartira, exatamente 9 km de perturbação ao trânsito local. De lá surgiu a expressão utilizada pela Moral por um bom tempo: "olha, sem as mãos!". Neste caminho não tão longo, porém muito próximo de se transformar em eterno ou último, passamos em frente ao Kaskatas Club, uma danceteria onde sempre havia polícia na porta, pois a barra sempre pesava por lá. Subimos a Rua Oratório e alguém do carro que com certeza não era eu, pois estávamos andando de ré, avistou a viatura da polícia e pediu para o Alemão parar o carro, o qual só o fez a uns 200 metros da viatura (não ouvia nada, pois estava com o ouvido esquentando a orelha da Rosangela). Todos os que estavam fora do carro desceram e passamos pelos guardas andando levemente, como nada estivesse ocorrendo. Vale lembrar que estávamos com a roupa de show, que não era nada convencional nem para o local nem para o horário. A cena, para os policiais que estavam comendo um lanche, foi tão absurda que, ao cumprimentá-los, eles se olharam e nem responderam.

Depois disso voltamos à formação original e seguimos rumo a minha casa. Tudo estaria perfeito se não fosse uma valeta a 50 metros de nosso destino que acabou com o escapamento do carro do Alemão além do para choque traseiro.

Terminamos a noite achando o Alemão um cara esquisito, pois ele foi o único que ficou de cara amarrada por alguns dias com esta aventura intitulada por ele como "presepada".