Aristides, tão querendo roubar minha bicicleta!

Pega mas não pega tudo não

A história da Moral e Bons Costumes

Paranga de Castelo

A história da beterraba

Olha, sem as mãos!

O que é isto?

São tantas recomendações...

O primeiro disco da Moral

A HISTÓRIA DA BETERRABA


Segundo Ricardo Bocca

Em 1983 ou 84, eu e um amigo chamado Banha fomos a uma festa na casa de um outro camarada. Até aí tudo normal. Porém esta festa seria diferente: ia estar cheia de cabeludos e, principalmente, uma mulherada mais liberal (pelo menos essa era a nossa idéia na época).

Chegando à festa onde, pensávamos, ouviríamos muito rock, encontramos uma sonoridade estranha... Alias, tudo e todos naquele lugar eram estranhos. Parece que todos os cabeludos falavam mole. Não podiam ser drogas pois a festa havia acabado de começar e a galera estava toda meio "quadro a quadro". Tudo bem, afinal era uma festa diferente e iríamos encontrar pessoas diferentes (só que a galera estava mais pra esquisita que diferente). O som não agradava, a bebida era fraca, mulher tinha pouca. De repente um pseudomaluco pediu um violão para fazer um som.

Puta que pariu finalmente alguém estava tomando alguma providencia pra tentar salvar aquele sábado! Procura daqui e dali e não existia nenhum violão na festa. Com o intuito de tentar animar aquilo que já tinha ido pro vinagre, nos prontificamos a ir buscar o violão na casa do Banha.

O violão não era dele, até porque ele não tocava nada. Tava tentando tirar uma musica do Led (será que preciso dar o nome dela?), então pegamos o Violão e voltamos correndo pra festa. No caminho já estávamos combinando que músicas íamos pedir pro cabeludo: tudo de hard-rock que ouvíamos e mais um pouco...

Entregamos o violão pro cidadão que, acompanhado de um outro fulano com um bongô, começaria o show.

O cara fez dois acordes (não me lembro quais), o cara do bongô deu uns tapinhas no instrumento e toda a galera em volta começou a balançar a cabeça e dizer:

- Ô bicho, mó som ó...

- É cara, podes crer...!

Automaticamente olhei pro Banha e senti: pagamos um mico! Esses porras não vão tocar nada.

Então em protesto e sem combinar o Banha pediu (pediu não, tomou!) o violão do cara e disse que também ia levar um som. Eu sabia que dali nada sairia, mas depois de um mico pago, o que é mais um?

Pedi o bongô do cara, fiquei esperando o Banha colocar os dedos nos respectivos lugares e começar a tocar e acompanhei com o bongô sem saber pra onde aquilo ia nos levar.

Com um ré muito magro repetido várias vezes com muita dificuldade, o Banha começou uma melodia:

”E o sol no expoente e o céu sempre crescente...”

Sentindo que aquela merda era uma forma de cobrar o mico que havíamos pagado, entrei no clima a ajudei a formar a letra.

”Beterraba é legal porque nunca me faz mal

Beterraba é descente faz bem pra gente”

Qual não foi o espanto que quando terminamos e, já prontos pra mandar meia dúzia tomar no cu, ouvimos:

- Ô bicho, mó som ó...

- É cara, podes crer...!

Desde então a palavra beterraba tem um sentido diferente.

”Beterraba” no dicionário da Moral & Bons Costumes significa:

Galera que curte um som de raiz, com fala sempre mole, sempre carente (do tipo que sente saudade de um amigo após 15 minutos de ausência do mesmo) amante da natureza, tomadores de chá, e afins.