Aristides, tão querendo roubar minha bicicleta!

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O primeiro disco da Moral

Aristides, tão querendo roubar minha bicicleta!


Verão sempre lembra praia, e foi no verão de 1984 que isso ocorreu...

A Moral nunca tinha viajado junta, muito menos para praia. Quando ocorria alguma viagem, era com alguns integrantes, mas nunca com a banda toda. Pensando nisso, resolvemos marcar em um feriado na casa de veraneio do Largura, na Praia Grande, para escrever letras, fazer músicas, organizar shows e coisas deste tipo. A casa era pequena: um quarto, sala e cozinha, garagem pra dois carros, mas era maior que a banda. Por isso resolvemos convidar, como sempre, o performático amigo Pancho.

Preto (assim era chamado o Pancho pelos amigos) por sua vez convidou o Lão, que também fazia algumas presepadas no palco com a gente. Esse por sua vez chamou o Tavo, primo dele, que chamou o Paulo, seu irmão, que convidou o Bento, que chamou o Elder japonês, que incluiu o Orlando, que chamou o Baiano, que levou seus irmãos Agnaldo e Pakal, que chamou o Poka, que convidou o Falinha e o Romão. Ou seja, o que era uma casa para quatro integrantes da Moral virou um albergue pra 17 marmanjos.

Realmente ficou na história. Até para os vizinhos: imagine toda essa galera chegando e descarregando os mantimentos (que era 97% etílico). Fazia-se até arroz com pinga! Foram duas caixas de cachaça e uma de coquinho, além das caixas e caixas de cerveja. O bar que havia em frente à casa ficou meio preocupado, pensando que era um novo ponto que estava pra ser aberto. O número de talheres, pratos e panelas não comportava a demanda. Fazia-se fila pra pegar senha pra comer. De manha, no café, tomava-se coquinho com leite. Isso sem contar as outras drogas, maconha, lança perfume, e a coqueluche: o gás de geladeira.

No meio a essa batalha para conseguir pratos e talheres, além de pegar a senha e assegurar seu local, tudo ia bem: os que gostavam de beber, bebiam e os que curtiam fumar, fumavam. Mas logo chegou o momento de experimentar o gás de geladeira. Esse gás, quando ingerido por via oral, reage com o organismo fechando a traquéia fazendo com que você fale com uma voz bem diferente da sua. Quando o efeito vai passando, a voz vai voltando ao normal. Essa é uma droga que pode desencadear doenças horríveis, mais não sabíamos disso. Era muito engraçada a reação das pessoas a essa voz alterada.

Pelo fato da casa estar completamente lotada, Frederico e Bocca, ambos já meio chapados, resolveram dar umas voltas pela vila a fim de respirar um ar menos viciado, andando pelas ruas vizinhas conversando sobre a banda, sobre as músicas etc. Avistaram um homem encostando uma bicicleta na calçada. Se aproximaram e perguntaram ao cara se ele poderia emprestar a bicicleta para eles darem uma volta. O homem ficou super assustado e saiu gritando pelo corredor da casa:

Aristides, Deoclécio, Schoppincenterson, Agamênon, José Arimatéia, tão querendo roubar minha bicicleta!

Neste momento não se pensou em mais nada além de correr (e muito) e escapar daquela encrenca. Correram de volta à casa do Largura, porém (Ah, porém...) o dono da bicicleta e mais uns dois deram a volta pelo outro lado e acabaram encontrando os dois em frente à casa.

"Seis tavam querendo me robá a bicicreta! - dizia o homem ainda nervoso.

"Ô bicho, que nada, a gente pediu pra dar uma volta." - disse o Bocca querendo arrumar a situação.

"Bicho não, cabra! Eu só é home!!!" - e o cidadão ainda continuava a querer crescer...

Com essa gritaria, todos os quinze restantes na casa resolveram sair pra entender o que estava ocorrendo. Foi ai que o "Home da bicicreta" começou a murchar, murchar... Ele não esperava que, de uma casa tão pequena como aquela, ia sair tanto nego mal encarado que nem saiu de lá. Vendo que o negócio ficou feio pra ele, que a chapa esquentou (como se diz hoje em dia), deu a volta junto aos seus dois amigos e foi-se embora.

Na casa a gozação foi grande e aumentou mais ainda quando o Bocca lembrou que nem de bicicleta ele sabia andar...